31º

by André de Leones

O melhor aniversário que ele poderia ter. Eram apenas cinco ali em sua casa, com uma caixa de isopor abarrotada de gelo e cerveja na cozinha e, na mesinha de centro da sala, além das besteiras de praxe (batatas, ovinhos de amendoim, amendoim), dois litros de cachaça. Foi tão bom que passou muito rápido, rápido demais. Ele recebeu até mesmo presentes (uma camisa novinha do Liverpool, um Moleskine para registrar suas leituras e um litro de cachaça envelhecida sob a terra por sabe-se lá quantos anos) e ficou assim meio bobo, mais ou menos como ficou no reveillon, porque não pensava que esse tipo de conforto, outrora impossível por uma série de razões (sobretudo pelo lugar em que se encontrava, física e psicologicamente), estivesse ao seu alcance. Agora, enquanto repassa mentalmente a noite anterior, ele ainda se surpreende com a leveza da coisa toda e dele próprio. É como se finalmente tivesse encontrado um lugar para si. Ele quase não se reconhece, coisa que, pela primeira vez na vida, pouco ou nada tem de assustador.