Ouvindo uma partida de tênis.

by André de Leones

Eu deixo a televisão ligada na sala e volta e meia ouço o que acontece. Gosto do som de uma partida de tênis, os baques secos das raquetes contra a bola, o esforço físico concentrado num grunhido breve ou prolongado, e então o som da audiência, palmas e gritos. É uma espécie de celebração, breve como deveria ser toda e qualquer celebração, e depois o silêncio da espera pelo ponto seguinte. Sim, há esse momento quase transcendente, de espera, quando o sacador deixa de quicar a bola e a atira para o alto, e o adversário retesa o corpo, tenso, aguardando o saque, receber a bola, o instante certo para responder à altura, se for possível, se houver como. É um momento pesado para os que estão em quadra, esse que precede o saque propriamente dito, tanto para quem serve quanto para quem recebe, mas levíssimo para os que estamos aqui fora, como se não apenas a bola, mas tudo e todos flutuassem também, sem peso algum, e é como se a Criação inteira prendesse a respiração e acompanhasse, em câmera-lenta, a bolinha que sobe como se não precisasse descer nunca mais.