A abertura do Mar Vermelho.

No “Guerra e Paz” de Liev Tolstói (Cosac Naify, tradução de Rubens Figueiredo), há essa passagem em que, ferido na Batalha de Austerlitz, Bolkónski olha para o alto:
(…) Acima dele, já não havia nada, senão o céu – um céu alto, não claro, mesmo assim incomensuravelmente alto, com nuvens cinzentas que deslizavam tranquilas. (…)
No meu entender, parar a descrição de uma das maiores batalhas da História, parar o próprio tempo, e deter-se em um personagem que, estatelado no chão, naquele momento e naquelas circunstâncias, fita o céu, equivale, literariamente, à abertura do Mar Vermelho. Tolstói é o meu Moisés.

